“Por fora tenho tantos anos,
Que você nem acredita…
Por dentro, doze ou menos,
E me acho mais bonita!
Por fora, óculos, rugas, gordurinhas,
Prata nos tintos cabelos…
Por dentro sou dourada, imaculada,
Corpo de modelo!
Por fora, em aluviões,
Batem paixões contra o peito…
Paixões por versos, pinturas,
Filosofia e amigos sem despeito…
Por dentro, sei me cuidar,
Vivo a brincar, meio sem jeito!
Não me derrota a tristeza, não me oprime
A saudade, não me demoro padecente…
E é por viver contente,
Que concluo, sem demora:
É a menina que vive por dentro,
Que alegra a mulher de fora!”

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